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Ainda há risco de não
haver Copa no Brasil

Nello Morlotti

O contrato assinado entre governo brasileiro e Fifa define que até dia 1.º de junho de 2012 as duas partes podem romper o acordo sem pagamento de multa, podendo o mundial ser levado para outro país. Agora, com a Lei da Copa criando nova animosidade entre os "parceiros", a Fifa, mais do que nunca, se mostra disposta a fazer prevalecer o adendo contratual.

Significa que ainda há risco de não haver Copa do Mundo no Brasil. Pergunta-se, no caso de não ocorrer o mundial no país, como fica o dinheiro público que já foi torrado em obras de estádios e como ficarão as construções semiconstruídas e semidemolidas? Rezaria o bom senso que, quem ainda não assentou um tijolo, aguardasse um pouco mais. Parece ser o que o Internacional decidiu fazer em Porto Alegre.

Em Curitiba, mesmo assim, a festa está pronta para começar. Já há até promessa de desembolso de R$ 123 milhões de dinheiro público para o início das obras na Arena, em troca de um virtual potencial construtivo. Seria interessante que o cidadão curitibano ficasse atento e desse a resposta nas urnas em 2012 para esse descalabro.

Carta à Presidenta Dilma



Por Célio Pezza

Excelentíssima Presidenta Dilma, como sabemos que gosta de ser chamada. Tenho esperança de que esta carta chegue às suas mãos. Ela é um pedido sincero de um brasileiro que ama seu País e não suporta mais ver tantos desmazelos. Ao mesmo tempo, é uma sugestão para que a senhora passe de simples Presidenta do Brasil à condição de Estadista e heroína de nosso povo.

Um Estadista exerce sua liderança com sabedoria e sem limitações partidárias. Ele se preocupa com a próxima geração, diferente de um político, que se preocupa com a próxima eleição. Vou lhe pedir que enfrente a FIFA, o Comitê Brasileiro de Futebol, os inúmeros cartolas e corruptos que estão espalhados pelo País e cancele a Copa do Mundo no Brasil. Sim! Cancele a Copa.

Pegue estes bilhões que vamos gastar em estádios e superfaturamentos de todos os tipos e gaste na construção de hospitais, escolas, estradas e outras obras sociais. Os novos empregos gerados serão os mesmos, só que canalizados para outras obras. A Copa dura perto de um mês e depois se acaba. O sonho é muito curto para se gastar tanto, ao mesmo tempo em que nosso povo sofre doente indo de um hospital para outro sem encontrar médicos ou vagas.

Nossas crianças precisam de escolas e professores para uma vida toda e não de um mês de jogos de futebol. Nosso povo precisa de justiça e de uma razão para acreditar no País, precisa poder andar nas ruas com segurança, precisa de uma mão forte e de uma posição firme neste momento crítico. Nosso povo precisa de sua Presidenta. Não temos mais a quem apelar e a senhora é a nossa última esperança.

Excelentíssima Presidenta Dilma, ouça este apelo que é de milhões de brasileiros e assuma com coragem a decisão de mudar este País de uma vez por todas. A senhora será lembrada não por ter destruído o sonho de uma Copa, mas como aquela que construiu o sonho de um Brasil melhor para os brasileiros. Será lembrada como a heroína do povo, quem deu o mais importante passo para acabar com a corrupção no País e teve a coragem de bater de frente com esses ratos que andam roendo as nossas riquezas. Não estão roubando só dinheiro, mas principalmente o ânimo, a vida e a esperança de todo um povo. Excelentíssima Presidenta Dilma, a senhora tem nas mãos como mudar tudo e ditar as novas regras.

Esta não é uma carta irônica, acredite. É uma carta de boa fé, de quem quer aplaudi-la e gritar aos quatro ventos que o Brasil tem finalmente o comando de uma Estadista como nunca teve e com a coragem de dar um basta neste sistema que corrói a alma de nosso povo. Quero bater palmas e gritar seu nome nas ruas e explicar a todos porque faço isto. A senhora tem a chance. Não a desperdice, pelo amor aos brasileiros.

Sei que vai me perdoar se, em alguns trechos, falei indevidamente. Sei que vai entender que falei com o coração e não com a razão. Sei que vai entender que sou simplesmente um brasileiro que pede pelo seu País. Sei que vai pensar no assunto e espero que tome alguma decisão que a perpetuará no nosso coração. Pode ter a certeza de que nunca esqueceremos a mulher de fibra e princípios que um dia teve a coragem de enfrentar os poderosos a favor do povo.

Célio Pezza é escritor (www.celiopezza.com), com formação acadêmica em Química e Administração de Empresas. Nascido em Araraquara, interior de São Paulo, Célio mora atualmente em Veranópolis, no Rio Grande do Sul.

Suas obras são: A Nova Terra (1999 – Brasil) / - O Conselho dos Doze (2000 – Brasil) / The Seven Doors – em inglês (2006 by Trafford Publishing, Canadá-USA-UK) / As Sete Portas (2008 – Brasil) / Ariane (2008 - Brasil) / A Palavra Perdida (2009 – Brasil)


Conjectura



Nello Morlotti

Suponha que o governo do Paraná e a prefeitura de Curitiba, enfim, decidam tomar a frente na gestão da Copa do Mundo em Curitiba – o que até agora não aconteceu. Neste caso, poderiam intervir junto ao COL (Comitê Organizador Local) – leia-se Ricardo Teixeira – e à Fifa para que houvesse uma mudança de rota para o evento na capital. Que mudança seria essa?

Considerando que 2/3 da cidade e de outras regiões do Estado ou torcem para Coritiba ou Paraná Clube ou para outros clubes, que não sejam Coritiba, Atlético e Paraná, podendo ser Operário, Cianorte, Rio Branco, Londrina, Iraty, Corinthians, Flamengo, São Paulo, Santos, Palmeiras, Inter, Grêmio, etc. Neste caso, governo e prefeitura poderiam alegar um “apelo popular” dos paranaenses para que o estádio da subsede seja alterado. Como isso seria viabilizado?

Em conjunto com a Federação Paranaense de Futebol, governo e prefeitura “limpariam” a área do Pinheirão, desobstruindo os ônus que levaram o estádio à interdição, como endividamento com o IPTU, por exemplo, e outros processos. Feito isso, uma empreiteira – poderia ser a OAS – assumiria a construção de um estádio para 45 mil lugares, em uma área que não precisa de nenhum tipo de desapropriação no entorno e que permite investimento em mobilidade urbana.

Pois bem, com o poder da caneta que governo e prefeitura têm, isso ganharia celeridade e as obras começariam no início de 2012. Como Curitiba já está fora da Copa das Confederações mesmo, a empreiteira que assumisse a obra teria até dois anos para concluir o empreendimento. No final de 2013, começo de 2014, estaria pronto o estádio para três jogos da Copa do Mundo.

Atente ao detalhe: como COL e Fifa consentiriam numa eventual mudança de estádio para a subsede Curitiba, o contrato assinado anteriormente por governo e prefeitura, e que repassaria recursos do FDE (Fundo de Desenvolvimento Econômico) e do potencial construtivo da cidade para o Atlético, estaria nulo de pleno direito. Por quê? Por que o objeto destes recursos é fomentar a Copa em Curitiba e não obras em um estádio privado.

Como COL e Fifa indicariam um outro estádio, a nova arena Pinheirão - ou seja qual o nome que viria a receber - estaria apta a captar esses investimentos púbicos. Simples assim, apesar de ser apenas uma conjectura. Por enquanto...

TOP, TOP, TOP

Nello Morlotti

O governo do Paraná decidiu copiar a política de desporto que privilegia o marketing e não a massificação do esporte. Foi aplicada nos tempos de Jaime Lerner, com os onerosos centros de excelência, que não formaram nenhum atleta de ponta genuinamente paranaense, e agora vem revestida com outro nome: Talento Olímpico do Paraná (TOP). O chamariz é o maratonista e medalhista olímpico Vanderlei Cordeiro de Lima, como no passado foram Bernardinho e Hortência.

Enquanto isso, o esporte na escola segue renegado. Era lá que as políticas de desporto deveriam agir. Primeiro é preciso massificar, para depois pensar em esporte de alto rendimento. Mal comparando, é como se um clube de futebol abdicasse de suas categorias de base para apenas apostar em jogadores prontos, donos de seus direitos econômicos, que não darão retorno na frente.

No caso do TOP, o que foi divulgado é que 250 atletas passam a ser bolsistas com direito a ajuda de custo de R$ 500 por mês. A partir de janeiro, o valor pode ser revisto, assim como o número de atletas contemplados. Será que esse dinheiro não seria melhor aplicado para contratar mais professores de educação física ou para qualificar as escolas com aparelhos esportivos, como canchas cobertas e bolas, por exemplo?

Se o governo quer mesmo estimular o esporte de alto rendimento, em vez de dispor de recursos públicos que deveriam ser direcionados para as escolas, tinha é que incentivar a iniciativa privada a fazê-lo. Neste caso, caberiam benesses fiscais. Aliás, o padrinho do projeto, Vanderlei Cordeiro de Lima, é um exemplo disso. Como atleta, sempre teve a iniciativa privada a bancá-lo.

Volto a repetir, política pública de desporto se faz nas escolas, com a massificação e a oferta de boas condições para estudantes e professores. O resto é marketing.

Leitura indispensável



Demétrio Magnoli e Adriano Lucchesi - O Estado de S.Paulo

"Há uma percepção crescente de que a aritmética da Copa do Mundo é um tanto instável", escreveu o Times de Johannesburgo um mês depois do triunfo da Espanha nos campos sul-africanos. "Temos estádios em excesso para nosso próprio uso. Talvez devêssemos exportar estádios para o Brasil, que fará sua Copa do Mundo?". A constatação estava certa; a sugestão, errada. O Brasil, país do futebol, terá o mesmo problema que a África do Sul, país do rúgbi. Aqui, como lá, a festa macabra da Fifa é um sorvedouro implacável de recursos públicos.

Mafiosos usam a linguagem da máfia. Confrontado com evidências de corrupção na organização que dirige, Sepp Blatter avisou que tais "dificuldades" seriam solucionadas "dentro de nossa família". As rendas de radiodifusão e marketing da Fifa ultrapassaram os US$ 4 bilhões no ciclo quadrienal encerrado com a Copa da África do Sul. O navio pirata já se moveu para o Brasil, onde a Fifa articula com seus sócios a rapina seguinte.

O brasileiro João Havelange planejou a globalização do futebol, expandindo a Copa para 24 seleções, em 1982, e 32, em 1998. Blatter concluiu a transformação, rompendo a regra de rodízio de sedes entre Europa e América. Como constatou a Sports Industry Magazine, sob um processo milionário de licitação do direito de hospedagem, as ofertas nacionais assumiram "a forma de promessas de mais e mais pródigos novos estádios para os jogos e novos hotéis luxuosos para uso dos dirigentes da Fifa e de fãs endinheirados". A Copa é um roubo: as despesas são pagas com dinheiro público, de modo que a licitação "constitui, de fato, um esquema de extração de renda concebido para separar os contribuintes de seus tributos".

O saque decorre da conivência de governos em busca de prestígio e de negociantes em busca de oportunidades. Na Europa a rapinagem é circunscrita por uma cultura política menos permeável à corrupção e pela existência prévia de modernas infraestruturas hoteleiras, esportivas e de transportes. Por isso a Fifa seleciona seus próximos alvos segundo critérios oportunistas de vulnerabilidade. Encaixam-se no perfil África do Sul e Brasil, países emergentes que ambicionam desfilar no círculo central do mundo, assim como a semiautoritária Rússia, sede de 2018, e a monarquia absoluta do Qatar, que bateu a Grã-Bretanha na disputa por 2022.

Antes das Copas, consultores associados às redes mafiosas produzem radiosas profecias sobre os efeitos econômicos do evento. Depois, quando emergem os resultados efetivos, eles já estão entregues à fabricação de ilusões no porto seguinte. A África do Sul gastou US$ 4,9 bilhões em estádios e infraestruturas, que gerariam rendas imediatas de US$ 930 milhões derivadas do afluxo de 450 mil turistas, mas só arrecadou US$ 527 milhões dos 309 mil turistas que de fato entraram no país.

O verdadeiro legado positivo da Copa de 2010 foi a mudança de paradigma no sistema de transporte público urbano, pela introdução de ônibus, em corredores dedicados, e do Gautrain, trem rápido de conexão com o aeroporto de Johannesburgo. Os ônibus enfrentavam selvagem resistência dos sindicatos de operadores de peruas, superada pelo imperativo urgente do evento esportivo. O Gautrain serve exclusivamente à classe média, com meios para adquirir bilhetes cujos preços excluem a população pobre. Mas o argumento de que sem uma Copa, não se realizariam obras necessárias de mobilidade urbana equivale a uma confissão de incompetência da elite dirigente.

Eventos esportivos globais tendem a gerar ruínas urbanas, mesmo em países mais inclinados a zelar pelo interesse público. Japoneses e sul-coreanos ainda subsidiam a manutenção das arenas da Copa de 2002. As dívidas contraídas para as obras da Olimpíada de Atenas e da Eurocopa de 2004 aceleraram a marcha rumo à falência da Grécia e de Portugal. A África do Sul incinerou US$ 2 bilhões na construção e reforma das dez arenas da Copa. Todas, com exceção do Soccer City, de Johannesburgo, usado para jogos de rúgbi e shows, figuram hoje como monumentos inúteis, conservados pela injeção de dinheiro público. A Cidade do Cabo paga US$ 4,5 milhões ao ano pela manutenção da arena de Green Point, erguida ao custo fabuloso de US$ 650 milhões e usada apenas 12 vezes depois da Copa. Lá se desenrola um melancólico debate sobre a alternativa de demolição do icônico estádio, emoldurado pela magnífica Table Mountain.

O Brasil decidiu ultrapassar a África do Sul. Aqui, serão 12 arenas, a um custo convenientemente incerto, mas bastante superior aos dispêndios sul-africanos. As futuras ruínas já drenam vultosos recursos públicos, mal escondidos sob as rubricas de empréstimos do BNDES e subsídios estaduais e municipais. O governo paulista prometeu não queimar o dinheiro do povo na festa macabra da Fifa, mas o alcaide Gilberto Kassab assinou um cheque público de US$ 265 milhões destinado ao estádio do Corinthians. São 16 centros educacionais, para 80 mil estudantes, sacrificados por antecipação no altar de oferendas às máfias da Copa. O gesto de desprezo pelas necessidades verdadeiras dos contribuintes reproduz iniciativas semelhantes adotadas, Brasil afora, por governos estaduais e municipais.

Segundo a lógica perversa do neopatriotismo, a Copa é um artigo de valor só mensurável sob o prisma da restauração do "orgulho nacional". De fato, porém, a condição prévia para a Copa é a cessão temporária da soberania nacional à Fifa, que assume funções de governo interventor por meio do seu Comitê Local. O poder substituto, nomeado por Blatter, já obteve o compromisso federal de virtual abolição da Lei de Licitações e pressiona as autoridades locais pela revisão das regras de concorrência pública. Malemolentes, ao som dos acordes de um verde-amarelismo reminiscente da ditadura militar, cedemos os bens comuns à avidez dos piratas.

SOCIÓLOGO E DOUTOR EM GEOGRAFIA HUMANA PELA USP (DEMETRIO.MAGNOLI@TERRA.COM.BR);
ADMINISTRADOR DE EMPRESAS E MESTRE EM TURISMO SUSTENTÁVEL

Inverno atleticano



Caio Dipow, especial para o FutebolPR

A estação mais fria do ano começou oficialmente nesta terça-feira. Coincidentemente, para o Atlético, foi marcada pela invasão de integrantes de uma facção ao CT do Caju. Porta adentro, lá foram eles dar de dedo na cara dos jogadores e do técnico. Nunca na história do centro de treinamento rubro-negro isso ocorreu. A diretoria detectou influencia da oposição nessa história. Pelo sim, pelo não, o certo é que começou o inverno atleticano.

Inicia-se pela diretoria rubro-negra, que parece hibernar. A alta cúpula sumiu. O presidente Marcos Malucelli dá a impressão que largou o futebol e o segundo na hierarquia, Enio Fornea Jr., vive encastelado. Os bois de piranha da vez chamam-se Alfredo Ibiapina e Paulo Rink, que nesta terça-feira teve de tourear os membros da facção. Enquanto isso, o elenco dá demonstrações evidentes de estar dividido em panelinhas, com todas dispostas a fritar o técnico Adilson Batista.

Pode não ser o caso, mas o que está passando para a opinião pública é que o desmando tomou conta do Atlético. Mal comparando, parece o Paraná Clube na gestão de Aquilino Romani. Apesar de o presidente licenciado ter feito coisas interessantes pelo Tricolor, a imagem que ficou foi a de que fracassou, por causa do futebol. No Rubro-negro, Marcos Malucelli pode receber a mesma marca. Só que como está em fim do mandato, não vai precisar se licenciar. O único risco é o de sair pela porta dos fundos da Arena se o time for rebaixado.

A postura do presidente do Atlético mudou desde que ele foi vaiado no estádio, em 19 de março, após a derrota por 2 x 0 para o Operário. Na ocasião, jogou a toalha e colocou-se no corner, abrindo espaço para a oposição. Além disso, desgasta-se nas intermináveis negociações para viabilizar a Arena da Baixada para a Copa 2014.

Aliás, o mundial, que antes foi vendido como a redenção do Atlético, hoje se revela um problema para o clube. Tudo leva a crer que o Furacão terá de se endividar para atender as exigências da Fifa - e que não são poucas. O Rubro-negro terá de se associar a uma grande empreiteira e ceder algo, ainda não se sabe o quê. Creia, não sairá barata a Copa para os atleticanos. Pior: se o time não reagir em campo, a ZR ameaça grudar no Atlético. O futuro, por enquanto, é frio para com o clube. Começou o inverno atleticano.

Cada um no seu quadrado

Nello Morlotti

Jornalistas e radialistas que trabalham na cobertura do Paraná Clube têm reclamado do patrulhamento que vêm sofrendo, principalmente de torcedores profissionais. A mais recente atingiu o portal da rádio Banda B, que quarta-feira noticiou que funcionários do Tricolor articulavam uma paralisação para cobrar salários atrasados – algo recorrente no clube nos tempos recentes.

Foi aí que a tropa de choque entrou em ação, tentando imputar que a notícia era falsa. Um dos líderes da tropa, que aliás tem horário na rádio Banda B, foi um dos primeiros a se voltar contra o portal da emissora, sugerindo, via Twitter, que há um complô da imprensa contra o Paraná e que o clube deveria mover processo contra “os que mentem”. Puro tiro no pé.

A ponto de o próprio diretor financeiro do Tricolor declarar que realmente há dificuldades para receber do patrocinador master e que isso tem gerado atrasos de pagamento no clube. O atraso da empresa para com o Paraná, diga-se de passagem, se deve por culpa do próprio Tricolor, que tendo contas bancárias bloqueadas judicialmente não consegue receber os depósitos.

Como se vê, não há aí nenhuma teoria da conspiração da imprensa quando trata da realidade do Paraná Clube. Triste realidade, aliás, e que tem nos torcedores profissionais parcela de culpa. Foram eles que espantaram do Tricolor bons parceiros e que, agora, para não ver o clube sucumbir, estão retornando para ajudar. Então, pergunta-se: qual ajuda os torcedores profissionais estão dando ao Paraná?

Se nenhuma, poderiam começar a fazer a partir de agora algo que lhes é de direito: apenas torcer. E, como todo bom torcedor, pagar por isso em vez de receber. O que o Paraná Clube precisa, para serenar os espíritos, é que a diretoria dirija, o técnico treine, a torcida torça, as parcerias ajudem e a imprensa siga apurando os fatos que devem ser apurados. É cada um no seu quadrado. Só assim haverá luz no fim do túnel.

Campeão é o agente

De Paulo Vinícius Coelho, em O Estado de S.Paulo de 22/maio/2011*

Avaí e Coritiba empataram fora de casa o jogo de ida das semifinais da Copa do Brasil. Em comum, as duas zebras não têm apenas a chance concreta de chegar à decisão. Têm também o mesmo parceiro. Luís Alberto de Oliveira é um empresário de futebol ainda mais desconhecido do que os elencos modestos de Coritiba e Avaí. Sua trajetória é incrível. Em 2006, sua empresa, que leva suas iniciais - L.A. Sports - estava associada ao Paraná Clube, quinto colocado no Campeonato Brasileiro e classificado para a Taça Libertadores da América.

Dizia-se que o sucesso do Paraná estava baseado na seriedade de seu presidente, o professor universitário José Carlos Miranda. Um ano depois, Miranda foi deposto, acusado de desvio de dinheiro na negociação de Thiago Neves. Luís Alberto deixou o Paraná e associou-se com o Avaí. O clube catarinense saltou da Série B para a briga por uma vaga na Libertadores. No ano passado, a L.A. Sports dividiu sua atenção entre o Avaí e o Coritiba. Este ano, o Coxa virou recordista de vitórias consecutivas e favorito na Copa do Brasil.

Luís Alberto de Oliveira parece Midas: o que toca vira ouro. Mas o sucesso de Coritiba e Avaí não consagra o modelo de parceria. É só um ingrediente de uma longa discussão. Acordos semelhantes fracassaram. Palmeiras e Traffic são exemplos disso. O Santos inicia o Brasileirão em guerra com o grupo Sonda, dono de 45% do contrato de Paulo Henrique Ganso. "O segredo é a independência. Iniciamos a parceria quando tínhamos uma situação econômica delicada. Mas sempre escolhemos os jogadores. Hoje, temos pelo menos 50% de todos do Luís Alberto. E ele tem comprometimento conosco'', jura o vice-presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade.

A palavra-chave é essa: independência. O modelo só vale assim, mas há até clubes independentes que recorrem a ele e se dão mal. O Manchester United ficou à mercê de Kia Joorabchiam na renovação de Tévez, que foi para o Manchester City. O caso do Avaí é diferente do Coritiba. "No início, indiquei o diretor de futebol e o técnico Silas, que busquei no Fortaleza. Isso mudou. Como parceiro do Coritiba, não poderia mais gerir o Avaí", diz Luís Alberto.

O Coritiba tem hoje cinco jogadores com passagem pelo Avaí, oito que pertencem à L.A. Sports. Em Florianópolis, dizem que a decisão da Copa do Brasil será Avaí A x Avaí B. No fundo, o campeão da Copa do Brasil pode ser um empresário.


*Trecho da coluna do PVC, publicada no Estadão

Sem lei, TV deita e rola

Nello Morlotti

Nesta semana, o Clube dos 13 vai ganhar um aliado na luta contra a operação em curso no Brasil, que pretende “espanholizar” as transmissões de futebol. O senador Roberto Requião (PMDB-PR), que preside a Comissão de Educação, Cultura e Esporte no Senado, decidiu ouvir as partes para ficar a par dos riscos que estão em jogo para o futuro dos clubes brasileiros.

A TV Globo, desempenhando com precisão seu papel de monopolizar as transmissões, passou a realizar negociações individuais. Os clubes, de pires na mão, sem pensar no futuro, estão se abraçando com as propostas. Nada impede esses acordos, até por que não há no Brasil uma lei que regulamente essas questões de “cartelização” de transmissões. Só que os clubes estão dando um tiro no pé. Deram às costas ao espírito de corpo, que é o único que poderia protegê-los do que vem pela frente.

E o quem vem pela frente? Segundo quem está por dentro dos bastidores, como Juca Kfouri, por exemplo, a meta, com o aval da CBF, é a “espanholização”. Lá no país da península ibérica, a TV detentora dos direitos faz acertos apenas com Barcelona e Real Madrid e paga “cachês” para os demais, quando estes enfrentam os grandes espanhóis. Especula-se que no Brasil esteja em curso algo parecido.

Depois de 2014, a TV Globo poderia simplesmente, quando da renovação dos contratos que estão sendo acordados atualmente, eleger um grupo de clubes para os quais pagaria boas quantias e decidir que, para os demais, considerados médios ou pequenos, caberia apenas “cachês”.

Foi tentado algo assim na Argentina, por meio do grupo Clarín, mas lá a AFA (Associação de Futebol da Argentina) agiu em favor dos clubes e, ao contrário do Brasil, a legislação também impediu. Resultado: o governo comprou os direitos e desarticulou a tentativa de monopólio.

Aqui, como já foi dito, não existe nada que regule a questão. A Globo “tratora” qualquer ação neste sentido. Por isso, há a expectativa de que o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) venha a resolver a questão, mas o organismo pode não ter a força desejada, apesar de trata-se de uma questão essencial de direito do consumidor.

Em resumo: as transmissões esportiva no Brasil estão à deriva e poucos fazem a interpretação correta do problema. Um deles é o presidente do Atlético Marcos Malucelli, que se mantém fiel ao Clube dos 13.

Diante das incertezas, Malucelli age sem oportunismo. E é por causa destas incertezas que a Comissão de Educação, Cultura e Esporte no Senado entra em cena. Talvez do debate nasça o embrião para uma lei que regule a questão. Se ela hoje já existisse, não tenha dúvidas de que os clubes estariam muitos mais fortes e ganhando muito mais dinheiro pelas transmissões dos campeonatos, em vez de compactuar com a “espanholização” do futebol brasileiro.

Por que Baier se omite?

Caio Dipow, especial para o FutebolPR

Paulo Baier é o maior salário do Atlético. Também é a referência técnica do time. No ano passado, quando tudo corria bem com o Rubro-negro, surfou na onda do sucesso e tornou-se ídolo. Este ano, quando o Furacão mais parece precisar dele, se omite.

Apesar de ser o artilheiro do estadual, com 8 gols – boa parte deles marcados através de pênaltis -, Paulo Baier tem jogado mal. Pelo enquadramento da TV aparece até com uns quilinhos a mais. Por isso, talvez, movimente-se pouco em campo.

Mas não é essa a questão. Paulo Baier tem se omitido de liderar o time atleticano e tentar mexer com o grupo em campo. Esquiva-se até de ser porta-voz do time. Quinta-feira, após o empate com sabor de derrota contra o Corinthians Paranaense, isso ficou claro.

Quem veio para dar declarações à imprensa foi o volante Claiton, que nem titular é. Paulo Baier ficou no vestiário, sem saber que é nas horas de crise que um ídolo também brilha. Se tem espírito de liderança, era o momento de o veterano meio-campista liderar.

Agora é que a “Baierdependência” deveria aflorar. Mas Paulo Baier optou pela omissão. Pela segunda vez no estadual, cumprirá suspensão por causa de cartões amarelos. Não estará em Irati. Se o time voltar a jogar mal, ninguém poderá cobrá-lo. Baier se omite. Por quê?

Copa do Mundo virtual
e Copa do Mundo real



Caio Dipow, especial para o FutebolPR

Nos gabinetes refrigerados dos políticos, a Copa do Mundo 2014 vai de vento em popa. É a velha máxima de que o papel aceita tudo. Por isso, o ministro dos esportes, Orlando Silva Jr., viaja pelo país de Norte a Sul e é sempre recebido como uma celebridade. Não foi diferente em Curitiba, nesta sexta-feira.

A capital paranaense foi cantada em verso e prosa como a mais adiantada na preparação do mundial. Orlando Silva Jr. teve acesso a projetos e mais projetos, ouviu papagaiadas e falou papagaiadas para, no final da exaustiva jornada, visitar as “obras” da Arena da Baixada - pelas quais, até capacete de segurança vestiu.

A partir desta sexta-feira, está claro: há duas Copas do Mundo no Brasil. Uma é virtual, que não se sabe até quando os políticos vão conseguir sustentar. A outra, é a Copa real - aquela que está cheia de obras atrasadas, obras embargadas, obras sem recursos, obras que não saem do papel.

São duas Copas que ainda não estabeleceram conexão, e nem há sinais de que vá ocorrer. Enquanto isso, o tempo passa. Pelo cronograma da Copa real, as obras já deveriam estar a pleno vapor.

Faltam menos de dois anos para que pelo menos metade das doze subsedes esteja pronta para ser testada na Copa das Confederações. Só que nenhuma delas está com as obras em dia, tanto na questão de estádio quanto na de mobilidade urbana.

Nem Curitiba, que tenta enganar a opinião pública de que a Arena da Baixada está semipronta. Lorota pura. Para se adequar ao caderno de encargos da Fifa, o estádio do Atlético terá de ser praticamente reconstruído. Por enquanto, ele só está semipronto para quem vive no mundo da Copa virtual. Por que, na real, a Copa do Mundo de 2014 ainda não saiu dos gabinetes refrigerados dos políticos.

É a hora da liga Sul-Minas

Caio Dipow, especial para o FutebolPR

O racha no Clube dos 13 sinaliza que é hora de os clubes paranaenses – sobretudo Atlético, Coritiba e Paraná Clube – defenderem a volta da Sul-Minas, ou melhor, do surgimento da Liga Sul-Minas. Só assim, eles conseguirão ter força para negociar cotas interessantes de televisão, seja qual for a emissora que vai passar a transmitir os jogos de futebol no país. Se não se aliar à dupla Gre-Nal, e a Atlético-MG e Cruzeiro, o Trio de Ferro vai ficar no limbo.

Com o apoio da CBF, o levante já começou. E ele não vai poupar sequer as federações. Primeiro foi o Corinthians; agora, é o bloco carioca. Em seguida, virão os paulistas em peso. Se formarem um bloco Sul-Minas, os clubes mineiros, gaúchos, catarinenses e paranaenses podem ter força significativa na nova estrutura que irá surgir no futebol brasileiro. Caso contrário, vão ficar com o resto, principalmente paranaenses e catarinenses.

O momento é oportuno também para romper de vez com os arcaicos campeonatos estaduais e reviver a bem-sucedida Copa Sul-Minas (1999-2002). O torneio só não se tornou um sucesso maior por que as federações intervieram e forçaram a CBF a criar um calendário que sufocou o Sul-Minas. Mas agora a confederação dá sinais de que vai incentivar o surgimento das ligas, em detrimento das federações. Atlético, Coritiba e Paraná deveriam iniciar as articulações já. Fica o aviso.

Animador de torcida

Nello Morlotti

Na época de ouro do Paraná Clube, Paulo César Silva era visto como um folclórico. Participava das diretorias quase que com a função de animador de torcida. Nunca lhe foi dado poder para decidir. Agora, quando o Paraná Clube precisava de gestores para o futebol, PC Silva caiu de paraquedas na função de vice-presidente de futebol. Deu no que deu.

O homem errado em uma das funções mais importantes de um clube transformou um projeto cheio de falhas em algo caótico. Então, cabe a pergunta: quem é mais culpado, Paulo César Silva ou quem forçou sua indicação para a vice-presidência de futebol? Hoje, ele tornou-se um problema para o Paraná Clube.

Não resta a menor dúvida de que os jogadores estão boicotando o dirigente. Se ele sair, aposto que o Paraná reencontra-se com a vitória. Agora, do jeito que andam as coisas no Tricolor, é provável que o clube opte pela saída de Roberto Cavalo. Se isso acontecer, arrisco dizer que o barco terá afundado de vez.

A voz da sensatez hoje se faz ecoar através do técnico Roberto Cavalo. Só ele pode dar jeito no Paraná Clube e salvá-lo do rebaixamento no Campeonato Paranaense. Independentemente da multa rescisória de seu contrato, manter o treinador é o que o presidente Aquilino Romani deve fazer.

Daria mais um conselho ao dirigente: coloque PC Silva no cargo que ele desempenha bem - animador de torcida – e negocie a volta de Durval Lara Ribeiro, o Vavá, ao futebol do Paraná Clube. Ele tem como viabilizar bosn reforços para o Tricolor. O resto, é continuar cavando o fundo do poço.

Trairagem no futebol

Nello Morlotti

Quem convive diariamente no futebol sabe que se trata de um ambiente de trairagem. Muitas vezes, ela parte de quem está dentro da trincheira. Soube de dois exemplos disso nesta semana. Uma ocorreu após a estreia do Coritiba no Campeonato Paranaense. O técnico Marcelo Oliveira expôs jogadores a comentários desnecessárias na coletiva após a vitória por 1 x 0 para o Operário, em Ponta Grossa.

O treinador fez críticas aos laterais Eltinho e Jonas, alegando que os jogadores tinham “decepcionado”. Ora, a temporada mal começou e Marcelo Oliveira já quer todo mundo “voando baixo”? Não é por aí. Aliás, vale lembrar que o técnico costuma perder a mão quando o assunto é críticas ao elenco. Basta ver o que ocorreu quando ele dirigia o Paraná Clube, e que custou sua demissão.

Por falar em Paraná, no Tricolor também tem trairagem da braba. Consta que o novo assessor da presidência, Marcelo Romano, quis mexer em profissionais estratégicos do clube e que há anos prestam um serviço quase voluntário à instituição. Será que é por aí que deve começar o projeto de marketing do Paraná? Melhor seria o assessor recém empossado revelar logo o presente de Natal prometido à torcida.

Fica aqui a dica e minha solidariedade aos profissionais Rafael Zucow, Greisson Assunção e Ageu.

Antidemocrata, Cury
quer cercear jornal

Da Equipe FutebolPR

Uma fonte contou a esse blog que o jornal Tribuna do Paraná passou a receber sucessivos pedidos de direito de resposta a cada vez que cita deslizes da Federação Paranaense de Futebol ou de seu presidente, Hélio Cury. Antidemocrata e despreparado, o dirigente tenta, com intimidação, esconder uma administração que até agora não mostrou a que veio.

A sinistra gestão de mais de duas décadas de Onaireves Moura serve de pano de fundo para encobrir a inoperância da era Cury. É tão inexpressivo o dirigente que nem nas visitas oficiais da Fifa a Curitiba ele é convidado a participar. Onde estava Cury nesta segunda-feira, quando integrantes do Comitê Organizador Local estiveram na capital vistoriando estádio e CTs?

Contam as más línguas que o expediente de Cury começa na FPF após as 18h. Sua prioridade segue sendo a loja de troféus que tem na rua Barão do Rio Branco, em Curitiba. Assim é gerida a federação. Se existe alguma luz, ela se deve à RPC, que por paranismo transmite um campeonato cuja audiência é questionável da primeira à última rodada. E ainda paga por isso.

Cury não tem nenhum mérito se o Campeonato Paranaense vier a dar certo ou for melhor do que os das edições de 2009 e 2010, quando seu departamento jurídico, que é bom para intimidar jornalistas com cartinhas de direito de resposta, comeu mosca no artigo que gerou o supermando.

O FutebolPR solidariza-se com a Tribuna pelo bom combate à obscura gestão Cury.

Essa Copa ainda
vai dar o que falar

Nello Morlotti

O projeto para cacifar as reformas na Arena da Baixada com dinheiro público navega em águas calmas na Câmara de Vereadores de Curitiba. Tudo leva a crer que a cessão de R$ 90 milhões em potencial construtivo será aprovada em plenário, mais tardar no dia 27 de outubro.

Só que existe um porém nesta questão. De nada adiantará a Câmara autorizar a prefeitura de Curitiba a manobrar os R$ 90 milhões de entrada, se a Assembleia Legislativa não aprovar o projeto que libera o uso de recursos do Fundo de Desenvolvimento Econômico para dar suporte aos papéis do município.

No fundo – trocadilho à parte -, é o chamado FDE que vai estimular alguma construtora a encampar as obras na Arena. A garantia de a empreiteira poder receber dinheiro vivo está nos recursos do fundo e não no potencial construtivo, que, como já foi dito aqui, além de virtual é volátil.

No entanto, em conversas com deputados, percebe-se resistência em desengavetar o projeto enviado recentemente pelo governador Orlando Pessuti - pelo menos nesta legislatura que está acabando. Ou seja, ficará tudo para 2011. Sem contar que a Copa do Mundo no Brasil também entrou em compasso de espera por causa do segundo turno das eleições para presidente da República.

Em resumo: essa Copa ainda vai dar o que falar.

Copa das empreiteiras

Caio Dipow, especial para o FutebolPR

A Copa do Mundo no Brasil já tem campeão. São as empreiteiras, que beneficiadas pelas exigências Fifa – ou seria do Comitê Organizador Local? -, ganharam o privilégio de construir os estádios do mundial 2014. A regra é clara: ou associa-se a uma delas ou perde o direito de ser subsede.

O caso mais recente é o do Internacional. O clube anunciou que patrocinaria a adequação do Beira-Rio do próprio bolso, investindo R$ 150 milhões e contratando construtoras de Porto Alegre. Então, veio o recado da Fifa e do COL: assim não dá, assim não pode, tem que ter a parceria de uma empreiteira. Por que será?

O que deveria ser um exemplo, no caso do Internacional, virou uma transgressão. Infelizmente, por essas e outras, o caminho para o Brasil sediar a Copa se revela cada vez mais obscuro.

Nada contra as empreiteiras, que estão na delas, dispostas a lucrar. O problema é que esse filme já foi visto muitas vezes na história do Brasil. E também tem como protagonistas o dinheiro público e a corrupção.

Chamamento público

Vereadora Professora Josete, especial para o FutebolPR

A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) promove nesta sexta-feira, às 14h30, uma audiência pública sobre o projeto de transferência de potencial construtivo para a conclusão do estádio Joaquim Américo. No encontro, também será analisado o projeto que trata sobre a isenção do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) para parceiros da Fifa.

Representantes do Executivo Municipal (secretaria de Finanças e secretaria de Urbanismo) devem estar presentes. O mandato convida todos e todas a participarem dessa discussão, que é de fundamental importância para o futuro da nossa cidade.

Urgência

Essa audiência pública só está sendo realizada devido à mobilização dos movimentos sociais. Na semana passada, houve a tentativa de aprovação de um requerimento que concedia a esses dois projetos a possibilidade de tramitação em regime de urgência, o que impediria uma discussão mais aprofundada sobre o tema e, consequentemente, a participação da sociedade em todo o processo, pois as propostas nem precisariam passar pelas comissões da Câmara e poderiam seguir direto para votação em plenário.

Junto com os movimentos sociais, o mandato protestou contra a forma pela qual os projetos estavam sendo encaminhados.

Agora, a participação popular está sendo assegurada.

Por isso é importante que todos e todas compareçam nesta sexta-feira à Câmara Municipal para que todas as dúvidas e questionamentos sejam apresentados e discutidos com o Poder Público.

Posicionamento

O mandato reitera que é favorável à realização da Copa do Mundo de 2014 em Curitiba. No entanto, salientamos que a sociedade precisa acompanhar e fiscalizar os investimentos que serão destinados à capital paranaense, para que os maiores interessados, os contribuintes, sejam beneficiados com a realização deste que é um dos maiores eventos do planeta.

Em todas as discussões, estamos nos pautando na premissa de que os recursos públicos precisam atender aos interesses públicos e não aos interesses privados.

Participe! Compareça à audiência! Encaminhe este email aos seus amigos e conhecidos!

Audiência pública
vai pegar fogo

Bruno Meirinho, especial para o FutebolPR

Os eventos esportivos de grandes proporções dos próximos anos no Brasil mobilizam muitos interesses. A todo momento são apresentadas, pelos governos, exigências que eles dizem ser "enviadas direto da Fifa". Nós sempre soubemos que os prefeitos e governantes daqui eram apenas garotos de recados, mas só agora, no desespero do pouco tempo que falta até 2014, eles resolvem confessar, esperando alguma solidariedade.

Muitas vezes, essas "exigências" não são importantes para nós, mas somos forçados a engoli-las a seco (até por isso são chamadas exigências, pois do contrário seriam conquistas), afinal, sem elas, não poderemos ser sede de Copa do Mundo, Olimpíadas e tudo o mais. Mas isso é tudo?

Além disso, essas supostas "exigências" não passam de enganação. Depois de convencerem a todos que nós dependemos de um metrô, e que seria uma exigência para a Copa, de repente a obra se mostrou inviável. E hoje não há metrô em vista, mas a Copa continua de pé. Isso é prova de que não existem exigências, mas conveniências. Qualquer coisa pode ser proposta sob a desculpa da Copa do Mundo, exceto as medidas que de fato tornam a cidade melhor.

Em Curitiba, querem destinar milhões de reais em dinheiro público para a conclusão de um estádio privado. Noventa milhões é muito dinheiro, que poderia ser investido em áreas realmente importantes. Afinal, a Copa do Mundo deveria melhorar a cidade e não concentrar ainda mais os recursos públicos. Por exemplo, para instalar 100 km de ciclofaixas em Curitiba, o custo seria de aproximadamente 3 milhões de reais (com base na proposta http://bicicletadacuritiba.wordpress.com/). Isso melhoraria muito a mobilidade na cidade.

Muitos imóveis estão vazios e abandonados na cidade. Com algumas reformas (mais baratas que a construção de novas casas em bairros distantes) poderíamos reduzir o grave déficit habitacional em nossa cidade. O que mais podemos fazer com 90 milhões de reais? Diga você também sua proposta. Vamos todos à audiência pública, vamos dizer não ao desvio de recursos públicos para obras privadas.

A derrota



Caio Dipow, especial para o FutebolPR

Foi a 4.º pior goleada sofrido pelo Paraná Clube em seus quase 21 anos. Houve um 6 x 0 para o São Paulo, em 2007, e outros dois 6 x 1: em 2002, para o Atlético, e em 2004, para o Vitória. Nesta sexta-feira, outro 6 x 1. Mas foi diferente das goleadas anteriores.

Nas ocasiões anteriores, o Paraná tomou gols por causa dos chamados “minutos de bobeira”. Porém, nunca faltou alma. Nesta sexta, quem enfrentou a Portuguesa, no Canindé, foi um aglomerado de zumbis vestindo a camisa do Paraná.

Esse elenco, do goleiro ao ponta-esquerda, perdeu o respeito pela instituição. Mesmo os que chegaram agora já foram contaminados. Pior: a culpa não é deles. O Paraná não se deu ao respeito e se permitiu ser desrespeitado pelos jogadores.

Não tivesse na situação em que está, precisando deste time para não cair para a Série C, seria o caso de mandar todos embora. Quem vai é o técnico Marcelo Oliveira, que ao renegar Luiz Camargo, e ver o jogador rebelar-se, perdeu o controle do elenco.

Vem Roberto Cavalo, que vai precisar dar um choque de responsabilidade ao time. Mas é preciso que o clube também assuma suas responsabilidades. Se reincidir na política de não pagar seus atletas, o Paraná não vai merecer outra coisa senão ver zumbis vestindo sua camisa. E nessa toada, 6 x 1 ficou barato.